O Poder do Um

Vereador Felipe Camozzato

 

Como apenas um vereador em uma bancada de 36 pode fazer a diferença e iniciar uma mudança no ideário da política brasileira.

“O meu objetivo é defender os interesses de uma maioria dispersa e não de uma minoria organizada”, afirma Felipe Camozzato, vereador do Partido Novo em Porto Alegre. Eleito em 2016, cerca de um ano após o partido ser licenciado pelo TSE, Camozzato é um dos quatro vereadores do Novo no País e o único representante na bancada da capital gaúcha.

Com a quinta maior votação da cidade e um discurso liberal que vai contra as práticas e ideários enraizados no cenário brasileiro, Camozzato chamou a atenção e respeito dos colegas na Câmara pela fidelidade às suas convicções. “Quem era esse cara vindo de um partido recém-formado, que não usa fundo partidário, sem coligações e dentro de uma campanha com voluntários?”, conta. “Quando eu me engajei no Novo, eu sabia que o Brasil precisava de uma mudança e confiava que ela deveria vir através da política e não de uma plataforma externa. Mas eu não acreditava em nenhum projeto político apresentado pelos partidos, foi quando eu me voluntariei a ajudar o Novo a virar um partido e depois veio a primeira eleição, resolvi entrar, até mesmo para dar o exemplo que pessoas de fora da política poderiam fazer a diferença e era possível renovar”, complementa.

Camozzato conta que ele é o vereador mais econômico da Câmara, utilizando apenas 4% da verba de Gabinete, e causou um certo desconforto quando sugeriu o corte da verba para todos os vereadores. “Como temos representantes políticos que divergem tanto do eleitor?”. Os vereadores do Partido Novo eleitos na última eleição comprometeram-se em enxugar gastos. Segundo o partido anunciou recentemente nas redes sociais, a economia chegou a mais de R$4 milhões somente no primeiro ano de mandato dos seus quatro políticos em exercício, que além de Porto Alegre, representam as cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A redução veio principalmente de cortes nos gabinetes e privilégios. E Camozzato fez a sua parte, contratando 5 assessores dos 9 que tinha direito. “Eu não acho que tenho poucos assessores, tenho exatamente o que preciso para garantir um bom trabalho”.

Por suas ideias divergirem muitas vezes da política tradicional, Camozzato concluiu que ficaria mais isolado na Câmara, mas no final, atraiu a curiosidade dos vereadores que se prontificaram a saber mais sobre os seus projetos e também o convidaram para contribuir com ideias, adquirindo uma posição de influenciador. Ele também faz parte da Comissão de Economia, Finanças, Orçamento e do Mercosul (Cefor) na Câmara Municipal que tem um papel fundamental na gestão financeira de Porto Alegre.

Formado em Administração de Empresas e pós-graduado em Liderança Global pela Georgetown University (EUA), Camozzato tem uma carreira focada em empreendorismo. E é justamente nesta área que pretende fazer a diferença. “O empreendedor é o grande agente de desenvolvimento de uma cidade, de um país… Ele precisa ser ouvido e respeitado. Boa parte dos parlamentares nunca empreenderam ou assinaram uma carteira na vida, é uma realidade muito distante”, afirma apontando para a importância da desburocratização no setor.

Em março deste ano, Camozzato lançou com o apoio de 11 vereadores a Frente Parlamentar de Empreendedorismo e Desburocratização com o objetivo de facilitar o setor e reduzir o tempo de abertura das empresas. Entre as iniciativas da frente está o Boletim do Empreendedor, um resumo dos projetos de lei que estão tramitando na Câmara Municipal e que podem impactar positivamente ou negativamente no ambiente de negócios da cidade. Com isso, a população pode checar o projeto de lei e interferir antes da votação. O vereador acredita que o Brasil está muito atrás de outras economias, inclusive da América Latina, no que diz respeito a abrir e manter empresas. “Os trâmites são muitos e complexos, há um custo burocrático que atrasa toda uma economia”.

E com relação ao futuro ressalta “eu sou otimista não só com Porto Alegre, mas também com o Brasil. Acredito que o país passou por grandes momentos de amadurecimento político nos últimos anos. O Brasil é uma democracia nova e o debate político só tende a aumentar, especialmente com a participação da mídia e das redes sociais. Nas eleições de 2018, muitos profissionais com mais experiência que eu candidataram-se e resolveram dar a sua contribuição. Foi bom mostrar o exemplo que política não é coisa suja e que é possível entrar para fazer uma diferença.”

Daniela K. Stenzel