Brasileiros iniciam movimento de empresas juniores nos EUA

Jovens na Conferência da JE USA Internacional. Source: Junior Enterprise USA

 

Estudantes brasileiros criam a Junior Enterprise USA e expandem o conceito de Empresa Júnior para as universidades americanas; Brasil é hoje líder mundial no setor.

Liderança, empreendorismo e inovação. Com esses conceitos, estudantes brasileiros estão ampliando o conceito das Empresas Juniores ou EJ’s em universidades americanas. A primeira surgiu no ano de 2012, na Universidade do Illinois, após um professor do curso de engenharia ser um dos palestrantes numa conferência internacional de Empresas Juniores no Brasil. Mas somente no final de 2016, com a fundação da Junior Enterprise USA, por um grupo de brasileiros, as Empresas Juniores nos Estados Unidos passaram a se expandir. Hoje já são 5 empresas consolidadas e 6 em estado inicial, englobando cerca de 150 estudantes.

As Empresas Juniores são geridas exclusivamente por alunos de cursos de graduação e pós-graduação e supervisionadas por professores. Têm como objetivo vender consultorias e projetos na área de formação dos estudantes.

Vítor Valentim, um dos fundadores e ex-presidente executivo da Junior Enterprise USA, conta que descobriu o conceito numa visita a Brasília, com um amigo que geria uma Empresa Junior dentro da UnB (Universidade de Brasília). Achou a ideia interessante, aí foi começar a recrutar talentos e iniciar o projeto. Quatro brasileiros envolveram-se na criação da Junior Enterprise USA, um organização não-governamental focada em ações para a expansão de empresas juniores e assessoria aos estudantes para que possam tornar-se empreendedores de sucesso.

Para Valentim, a principal estratégia para difundir as empresas juniores foi desenvolver um conceito que se destacava de outras organizações universitárias. Segundo ele, a razão que as EJ’s eram tão fortes em países da Europa e América Latina, mas ainda não tinham projeção no país, era a extrema competição. “Dentro de uma faculdade americana, há milhares de organizações disputando alunos, espaço nas conferências, patrocínios, então a ideia foi elaborar uma proposta de valor: não somos mais uma organização, mas sim uma empresa gerida por estudantes e mantida dentro da faculdade”.

Simultaneamente ao início da organização, três novas empresas foram desenvolvidas nos estados da Califórnia, Geórgia e Flórida. Valentim que na época estudava engenharia elétrica e Adriana Guetter, engenharia biomédica, foram responsáveis pela criação da Lumnus Consulting dentro da Universidade da Califórnia, em San Diego. Entre os brasileiros envolvidos no projeto também está Bruna Correa, estudante de engenharia elétrica no Instituto de Tecnologia da Geórgia, atual presidente da associação e idealizadora da Prime Junior Enterprise.

Para Bruna, o grande desafio foi aprender todos os passos para montar uma empresa, desde a escolha do tipo de serviço que executariam até o recrutamento de pessoas. Vitor conta que desenvolveu diversas habilidades referentes às áreas de marketing e comunicação. No início do projeto, a ajuda da associação global e a Brasil Júnior foi primordial.

Bruna acredita que a perspectiva é que no período de 5 a 10 anos, os Estados Unidos poderão ser um dos líderes de empresas juniores no mundo. Hoje a Junior Enterprise tem membros presentes no conselho mundial de EJ’s e estão engajados no movimento global.

 

Time original da Prime Junior Enterprise, agora Prime Consulting, Empresa Junior fundada em Atlanta por Bruna Correa (segunda na fileira superior, da direita para a esquerda). Source: Prime Consulting
Executive Board da Prime Consulting hoje. O time agora tem 25 alunos. Fonte: Prime Consulting

Empresas Juniores no Brasil – A Empresa Júnior foi criada na França em 1967 com o propósito de fornecer aos estudantes uma exposição direta ao mercado de trabalho. Chegou ao Brasil em 1988, com a fundação da primeira Empresa Junior, a EJFGV, da Fundação Getúlio Vargas. Ao longo dos anos, espalhou-se pelo país.

Atualmente mais de 20,000 estudantes estão envolvidos nesse projeto, representados em 25 federações ao redor do país, tornando o Brasil líder mundial de empresas juniores, posição conquistada no ano de 2015.

E os negócios seguem com um sólido crescimento. Somente em 2017, o setor faturou mais de 22 milhões de reais contra 11.122.544 milhões em 2016. E mesmo com a retração da economia, o número de projetos cresceu em 142%. Foram 11,792 no ano passado contra 4,882 em 2016. A renda é revertida na manutenção do negócio e capacitação dos estudantes.

Entre os cursos de maior representatividade estão os de engenharias, seguidos por ciências sociais aplicadas e ciências humanas, segundos dados da Brasil Júnior, atualmente a maior confederação de empresas juniores do mundo, composta por mais de 600 EJ’s.

Como são organizações sem fim lucrativos oferecem projetos a baixos custos. Os estudantes são voluntários e o negócio, que faz parte do terceiro setor da economia, têm cargas tributárias reduzidas. As micro e pequenas empresas representaram 41,6% dos negócios em 2016. Dupla função: uma barganha para os empresários; excelente oportunidade para os estudantes terem uma real interação e conhecimento do mercado de trabalho.

Daniela K. Stenzel