Nikki Haley: uma aposta para a presidência dos EUA

Photo Credit: U.S. Mission Photo/Eric Bridiers (Sourced from Flickr.com)

 

Embaixadora da ONU pode ser a arma do partido republicano nas próximas eleições presidenciais e ainda abrir uma porta de oportunidades para estreitar as relações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos.

Nikki Haley provavelmente não é um nome muito conhecido no cenário brasileiro. Até pouco tempo, ela era uma política norte-americana com pouca projeção internacional. O seu cargo atual, embaixadora dos Estados Unidos para a Organização das Naçōes Unidas (ONU), não é um dos mais cobiçados e muito menos aquele que oferece a melhor plataforma de exposição do seu trabalho. Por último, Haley tem mantido um estilo “low key” com a imprensa, principalmente quando comparada com os seus pares da administração Trump. Baseada em Nova York, ela está longe do dia-a-dia da politicagem de Washington.

Mas a verdade é que não existe ninguém como Nikki Haley para representar o Partido Republicano nas futuras eleições presidenciais. O seu trabalho na ONU preenche a última peça para um perfil que já é extremamente forte para uma candidatura à presidência. E ela está exatamente onde gostaria de estar.

Uma joia rara na política americana – Nikki Haley tem um currículo político dos mais invejáveis. Ela foi eleita três vezes deputada estadual pelo seu Estado natal da Carolina do Sul, de 2004 a 2010. Foi parte da liderança do Partido Republicano do Estado e era responsável pela coordenação política de importantes votações obtendo ampla experiência legislativa. Em 2010, incentivada pelo então governador da Carolina do Sul, ela se candidatou e venceu as eleições para Governadora, começando em último lugar nas pesquisas e vencendo com uma excelente margem no segundo turno. Em 2014, reelegeu-se para o Governo com uma margem três vezes maior que a sua primeira eleição. Políticos com experiência Legislativa e Executiva são raros em corridas presidenciais, e agora no gabinete Trump, ela tem contato direto com a administração.

Se a sua experiência política é completa, a sua história pessoal é ainda mais interessante. A embaixadora é filha de imigrantes indianos. Seu pai obteve um PhD no Canadá e se mudou para os Estados Unidos após receber um convite para dar aulas em uma universidade na Carolina do Sul. Sua mãe que era advogada, obteve um mestrado em educação e anos após fundou um negócio de moda que chegou a faturar um bilhão de dólares nos anos 90. A embaixadora trabalhou na empresa da família e a partir dessa experiência, obteve varias posições de liderança empresariais no Carolina do Sul e no cenário nacional antes de iniciar a sua carreira política.

Haley rapidamente angariou popularidade com diferentes facções do seu partido tornando-se uma aposta para as próximas eleições presidenciais. O apoio à governadora sempre foi relevante. Hailey foi considerada à posição de vice-presidente de Mitt Romney em 2004, foi também uma aliada importante para o senador Marco Rubio na sua campanha em 2016, o seu apoio foi solicitado por Ted Cruz ainda em 2016 e por último foi convidada para o gabinete do presidente Trump.

A escolha pela ONU não é por acaso. Hailey sabe que o caminho para a presidência envolve obter o máximo de experiência internacional possível, a principal lacuna da sua carreira. Os americanos valorizam a Política Exterior e a experiência de candidatos nessa área são críticas para o sucesso.

Uma oportunidade para o Corpo Diplomático – Nikki Haley acumulou diversas conquistas em uma carreira meteórica. Ela agora enfrenta um novo desafio, o de obter sucesso na esfera diplomática e desenvolver uma reputação de habilidades de negociação com parceiros internacionais.

As prioridades conhecidas da missão americana para a ONU é a área de segurança pública e o foco em países como a Rússia, Irã e Coréia do Norte. Mas a administração Trump não se elegeu em uma plataforma de combates internacionais, mas sim na promessa de realizar grandes acordos comerciais para os EUA, de preferência de natureza bilateral. Dentro desse contexto, a expectativa para América Latina é mínima dada a falta de sucesso de negociacões entre países dos dois lados.

A missão brasileira para as Nações Unidas é uma das maiores concentrações de diplomatas do país no mundo com especialistas de diferentes frentes. O Brasil naturalmente precisa abrir o seu mercado em uma série de maneiras, e uma idea é estabelecer um relacionamento profundo com futuras lideranças.

O corpo diplomático brasileiro tem uma oportunidade ímpar de constituir um relacionamento duradouro com uma pessoa que não só é uma atual membra do Gabinete Trump, mas que com certeza está se preparando para assumir a liderança do país um dia.

Daniela K. Stenzel